Como superar o bloqueio na hora de escrever – Parte 2

Dica preciosa de hoje: Leia, Leia MUITO

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, eles serão incapazes de escrever – inclusive sua própria história.”

Bill Gates

No texto anterior, eu tratei de como a motivação faz uma grande diferença na hora em que sentamos para escrever. Já o tema de hoje é especialmente caro pra mim: como o hábito da leitura pode nos ajudar a superar o bloqueio na hora de redigir nosso texto, independentemente da finalidade dele.

Acho que nunca conseguirei ser suficientemente enfática sobre como o costume de ler pode fazer diferença na vida de alguém, e não só na hora de escrever. A leitura também estimula a imaginação e proporciona diferentes tipos de conhecimentos sobre variadas áreas. Conhecimentos para a vida toda.

Sinto que meu amor pela leitura é coisa de outra vida. Assim que peguei um livro pela primeira vez, foi como uma revelação, um reencontro de almas gêmeas. Ainda menina descobri que poderia acessar novos mundos, novas experiências, sem ter de sair do lugar. E não foram poucas as vezes em que os livros foram meu refúgio – minha salvação – em momentos difíceis.

O relaxamento que muitos buscam em um filme ou série também pode ser conseguido com um livro, com a vantagem de se poder levá-lo a qualquer lugar e não depender de internet nem de energia elétrica para usá-lo. Como a história mostra, dá pra ler até à luz de velas. Nossa, são tantas histórias envolvendo livros, bibliotecas, sonhos!

O livro de Paula Hawkins tornou-se best-seller em 2015, mas o filme pouco convenceu

Os livros nos oferecem várias versões de mundos. Perceba, por exemplo, de quantas histórias de amor e aventuras podemos participar por intermédio dos livros. E as obras escritas ainda nos dão espaço para usarmos nossa imaginação e atribuir aos personagens e às paisagens as características que quisermos. Por isso, muitas vezes nos decepcionamos ao assistir a um filme que foi baseado em livro: os personagens e cenários criados pelo roteirista e diretor, em geral, são muito menos interessantes do que os que inventamos em nossa mente. E essa chance de treinar a imaginação é muito, muito útil mesmo, na hora de escrevermos nossas próprias histórias, nossos próprios roteiros.

E o que dizer do rico conjunto de termos com o qual tomamos contato a partir dos textos que lemos. Na adolescência, quando passei a ler obras mais densas, eu sempre deixava um dicionário por perto para poder checar o significado de alguma palavra nova. E, assim, além de ampliar meu vocabulário, de achar novas formas de dizer a mesma coisa – o que é sempre muito útil –, também descobria como escrever certas palavras ou usar certas expressões.

Todos tivemos, ou ainda temos, aulas de português na escola, em que os professores e professoras tentam exaustivamente nos ensinar sobre coesão e coerência, a estrutura das palavras, concordância verbal e nominal, crase, colocação pronominal… Só esta pequena lista já nos dá uma boa ideia do quanto a nossa linda língua portuguesa é repleta de nuances, detalhes, regras, realmente difíceis de assimilar em sua totalidade. A despeito do incansável esforço dos docentes.

Também neste caso, a leitura pode nos ajudar muito. Quando estamos envolvidos com a leitura de um texto, e a expressão sobre a qual sempre tivemos dúvida surge no meio da história, o processo é bem diferente, parece que dá um clique e finalmente compreendemos:

Nossa, então quer dizer que uso “mal” como oposto de “bem”, enquanto “mau” é contrário de “bom”! Sorte que eu descobri isso hoje, que não estou de “mau” humor 😀

Photo by Ben White on Unsplash

Outro importante efeito colateral da leitura é a aquisição de pensamento crítico e lógico, algo essencial para interpretarmos corretamente o que estamos lendo e para escrever com coerência. Ambas as habilidades são muito úteis em época com tantas fake news. Para saber se uma notícia é verdadeira ou não, uma dica é levar em conta a forma como o texto foi construído. Em geral, quem quer divulgar fake news não tem muita paciência – nem se importa – com os detalhes gramaticais e linguísticos. E, se a dúvida persistir, sempre é bom consultar fontes confiáveis, assim, de quebra, ainda obtemos mais informações sobre o tema, e essas informações poderão ser usadas em um futuro texto, em uma conversa ou postagem.

Aliás, hoje, quando tudo acontece em ritmo frenético e todo mundo quer ser o primeiro a postar ou comentar aquela notícia que está “bombando”, é maior o risco de se escrever besteira. Nas redes sociais, não temos muito tempo para pensar antes de escrever, então, se você faz da leitura um hábito, é menor a chance de postar alguma tolice e, claro, com erros graves de português.

Photo by Austin Distel on Unsplash

A propósito, as redes sociais têm deixado evidente o quanto as pessoas estão realmente com problemas ao lidar com o português. Podemos até querer acreditar que ninguém mais liga pra isso, mas não é bem assim. De repente, você pode até perder uma oportunidade de trabalho justamente porque seu potencial empregador resolveu dar uma olhada em suas postagens no Facebook, Instagram ou Linkedin e não gostou do que leu. Já o contrário não ocorre. Ninguém se aborrece por ler algo bem escrito.

Enfim, independentemente da finalidade do seu texto, você conseguirá escrever de forma mais correta, fluida, sem grandes esforços ou dramas, se fizer da leitura um hábito. E a vantagem deste hábito é que, além de não ter contraindicação, nunca é tarde pra começar.

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